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Dez dos 30 milhões de hectares agrícolas da Argentina correm risco de não produzirem nada este ano. A persistente estiagem que prejudica o país há meses, especialmente na região oeste, começa a colocar em dúvida até mesmo a produção recorde de soja. Na Bolsa de Cereais de Buenos Aires, as expectativas são negativas. “Há um estado de alerta pelo clima ruim“, disse Ricardo Baccarin, vice-presidente da corretora Panagrícola.

Ele comentou que restam cerca de 10 dias para semear a soja “de primeira” (a de maior rendimento) na região central do País. “Há alguma margem no sul e pouca no norte por causa da seca”, avaliou. A região de maior preocupação é a Província de Córdoba, onde a água é escassa até para o consumo da população. Dos 19 milhões de hectares projetados para a plantação de soja na Argentina na safra 2009/10, segundo a Associação de Produtores de Soja da Argentina, 4 milhões estão em Córdoba.

Por falta de umidade, somente 15% da área foi instalada. “Se dentro dos próximos 15 dias não cair a chuva necessária para os solos, grande parte desses hectares serão plantados com a soja de menor rendimento“, alertou Baccarin. As projeções de uma colheita de soja de 52 milhões de toneladas já estão sendo rebaixadas para 50 milhões de toneladas. Se a seca persistir, a revisão para baixo também vai continuar.

A próxima quinzena deve decidir ainda o futuro da próxima colheita de trigo, que interessa diretamente ao Brasil. A falta de umidade pode prejudicar mais o volume de trigo disponível para exportação nesta temporada 2009/10. Por enquanto, as projeções dos analistas são de que o trigo para exportação deverá ficar em torno de 3 milhões de toneladas, levando-se em consideração uma produção total de 8 milhões de toneladas e uma reserva para estoques da ordem de 1,5 milhão. Mas a Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta 7,75 milhões de toneladas para 2009/10, ante 9,2 milhões em 2008/09.

Os estoques de 2008/09, mais as outras 1,5 milhão de toneladas que não deverão ser consumidas na Argentina no ciclo 2009/10, resultariam nas 3 milhões de toneladas disponíveis para as vendas externas. Mas esse volume pode ser rebaixado dentro de 15 dias, conforme o clima. O milho e o girassol estão na mesma situação. Na Associação Argentina de Girassol (Asagir), o presidente Ricardo Negri afirmou que “o tempo biológico para que haja uma mudança que possa reverter os possíveis piores resultados da história do girassol no país são os próximos 15 dias“.

Fonte: Jornal do Comércio

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A Sociedade Rural Brasileira (SRB) divulgou nessa quinta-feira (05) um estudo sobre o impacto da valorização cambial no agronegócio e na economia brasileira. O real obteve uma valorização de 32% frente ao dólar entre dezembro de 2008 até setembro deste ano. O euro, por sua vez, registrou uma valorização de cerca de 8,1% em relação à moeda americana no mesmo período.

Com a volatilidade cambial maior na taxa de troca entre reais e dólares do que entre outras moedas, as exportações agropecuárias brasileiras, especialmente, as commodities, cujo fator preço é preponderante e a taxa de câmbio é fundamental, vêm sofrendo perdas de competitividade e rentabilidade.

A apreciação cambial (real excessivamente valorizado frente ao dólar) impacta brutalmente o produto rural brasileiro e, se nada for feito em relação ao câmbio, o endividamento rural se agravará”, enfatizou o presidente da Rural, Cesário Ramalho da Silva.

Para o Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Sampaio, um dos grandes problemas na questão cambial é que ainda temos juros muito altos, que atraem capital especulativo, interessado em rápida e alta rentabilidade.

Preço da soja safra 2009-2010

A soja, por exemplo, ficou 32% mais cara no mercado internacional. O preço médio da saca de soja (60 kg) cotada na bolsa de Chicago em setembro estava na casa dos US$ 20,60. Levando-se em conta a taxa de câmbio média de dezembro de 2008 (R$ 2,40 / US$) a importação por um país de uma saca de soja brasileira custaria US$ 8,60, ao passo que em setembro último, quando a taxa de câmbio média ficou em R$ 1,82/US$, a mesma saca de soja custaria ao importador US$ 11,30.

A soja, como qualquer outra commoditie de exportação, sofre diretamente com as oscilações da moeda e os preços internacionais. A super-safra que se avizinha (Brasil, Argentina, Estados Unidos) fará com que ocorra uma oferta gigantesca do produto, criando um cenário baixista para as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago, que é referência de preços mundial”, explicou Ramalho.

No caso do sojicultor, a queda de rentabilidade seria de 24,2%, uma vez que receberia R$ 49,44 pela saca de soja caso a exportação fosse efetuada em dezembro do ano passado, valor que passaria para R$ 37,47 caso a exportação fosse efetuada em setembro último.

Outras culturas

O estudo da Rural ainda atesta que, apesar das variações cambiais, as exportações brasileiras de algumas commodities – açúcar, algodão e suco de laranja – ainda mantêm uma margem positiva de rentabilidade e têm mantido uma significativa taxa de crescimento, gerando ganhos de participação no mercado internacional.

O aumento da produção e a diminuição da demanda formam um cenário baixista dos preços, agravado pela questão cambial, para todos os produtos, com exceção de algumas culturas, como o açúcar, em razão da demanda crescente da Índia”, explicou o economista da Rural, André Diz.

No caso da soja, milho e café, mesmo com a perda de rentabilidade registrada entre dezembro de 2008 e agosto último, a margem de lucro ainda se mantém positiva, com os preços de comercialização ainda sendo superiores aos custos de produção, fazendo com que a taxa de câmbio, em si, não seja motivo de preocupação, mas sim sua tendência definida de valorização, o que pode afetar diretamente a capacidade produtiva do setor sem endividamentos.

Segundo o vice-presidente da Rural, Roberto Ticoulat, no caso do café, o mercado internacional continuará precisando do produto brasileiro. Porém, o sistema de comercialização de café no Brasil é arcaico, já que ainda não é permitido, por exemplo, o drawback (desoneração de impostos na importação vinculada a um compromisso de exportação).

Impacto no agronegócio nacional

Além da perda de rentabilidade e competitividade, com um processo de valorização cambial contínuo, ocorre o barateamento dos produtos importados. Com isso, os produtos nacionais apresentam uma redução de margem de comercialização tanto no mercado interno quanto no mercado global. Por outro lado, a remuneração aos produtores rurais, pela indústria, também tende a diminuir, gerando um processo de perda de capacidade de crescimento de um setor que representa mais de 26% do PIB nacional. “A paridade foi um desastre para a agricultura brasileira. Quebrou nosso setor produtivo”, ressaltou o presidente da Rural, Cesário Ramalho.

Outro impacto da valorização cambial está na redução dos investimentos por parte dos produtores rurais e das grandes indústrias, resultando, em um primeiro momento, no encarecimento dos insumos da agroindústria e na redução de sua competitividade.

Esse processo de valorização das taxas de câmbio ainda reduz a capacidade de inserção da Brasil como um player de destaque no rearranjo econômico global, processo que se consolida com a maior importância dos países emergentes (com destaque para os Bric’s) na economia mundial.

Ramalho ainda afirmou que “o Brasil tem de rever a política cambial, pois estamos sem uma solução à vista. O BC tem que se preocupar, o presidente Lula que se preocupa tanto com a agricultura também tem que estar a atento, pois estamos perdendo mercados e o produtor ficará no prejuízo”.

Desafio

O agronegócio brasileiro é uma oportunidade estratégica para o crescimento da economia nacional no mercado mundial. Por isso, a política monetária deve estar adequada para que o setor agropecuário seja um irradiador de sua competitividade através da agroindústria.

A valorização do dólar (ou de desvalorização da taxa de câmbio) permite que as margens de comercialização dos produtores rurais e da agroindústria se ampliem com uma maior atratividade das exportações brasileiras no comércio mundial.

Porém, o ideal não é um câmbio sobre-desvalorizado, o que encareceria demais as importações de bens de capital, reduzindo as taxas de formação bruta de capital fixo (investimento), sem gerar o benefício do crescimento e desenvolvimento econômico desejado. “Poderíamos ter um dólar na casa de R$ 2,10”, sugeriu o Secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, João Sampaio.

Outro desafio apresentado pelo presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho da Silva, é a impossibilidade de assimilar o chamado “Custo Brasil“, especialmente, no tocante à infraestrutura logística, que acaba estourando no bolso do produtor. “Precisamos urgente de melhorias no transporte, no armazenamento, em portos”, assinalou.

Importância para a economia brasileira

Segundo cálculos do CEPEA - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a produção agropecuária representa 7% do Produto Interno Bruto da economia brasileira no ano de 2008, participação que apresenta estabilidade nos últimos 14 anos, variando de uma participação mínima de 6% em 2006 e máxima de 7,8% em 2003.

Porém, a participação do PIB agropecuário entre os estados brasileiros apresenta a relevância desse setor entre as diversas regiões do Brasil. Considerando os dados de 2006, o PIB agropecuário representa 19,8% do PIB dos estados que compõe a região Centro-Oeste, importância que se reduz para 12,8% na região Nordeste e 12,0% na região Sul. Nas regiões Norte e Sudeste a participação média do PIB agrícola sobre o PIB regional é de 11,6% e 5,7% respectivamente.

A participação do PIB agropecuário sobre o PIB estadual do Mato Grosso foi de 22,2% em 2006, com significativas taxas de participação nos estados de Rondônia (17,1%) e Tocantins (16,7%). Por outro lado, os estados de São Paulo (1,8%), Rio de Janeiro (0,4%) e Distrito Federal (0,2%) são as regiões com menor taxa de participação do PIB agropecuário frente ao PIB total da região.

Essas taxas de participação evidenciam a importância que o setor agropecuário primário tem na dinâmica de desenvolvimento regional, sendo um importante vetor de crescimento econômico em regiões distantes do pólo Sul-sudeste.

Quando se considera toda a cadeia agroindustrial, os cálculos do CEPEA apontam para um participação de 26,5% do PIB nacional. Entre os anos de 2007 e 2008, o PIB da agroindústria registrou taxas de crescimento superior às taxas registradas pelo PIB total; em 2007, enquanto a economia brasileira registrou variação anual de 5,7%, o PIB do complexo agroindustrial apresentou taxa de 7,9%, passando para 7,0% de crescimento em 2008 (quando o PIB brasileiro registrou elevação de 5,1%).

Fonte: Agrolink

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Hartwell Huddleston devolveu equipamentos extras que comprou e pretendia utilizar para colher o que parecia ser uma de suas melhores safras de soja dos últimos tempos.

Depois de dois meses com muita umidade, ele crê que tem cinco dias de trabalho para colher o que resta antes da nova safra. A qualidade de algumas das culturas que ele colheu em sua lavoura do noroeste Mississippi foi tão prejudicada, que os elevadores e transportadores emperram ao buscar carregar seus caminhões.

Nós já tivemos muitos anos chuvosos, mas esse é um daqueles piores“, disse Huddleston, que também é corretor de seguros agrícolas. “Se uma pessoa é um agricultor, começa a pensar: ‘Onde é que eu vou dormir? Como vou alimentar minhas crianças?

Uma temporada tardia de chuvas atrasou a colheita do Great Plains para o Deep South, frustrando agricultores e levantando dúvidas sobre quanto tempo alguém na região do Golfo devastada pelo furacão será capaz de se manter nos negócios após mais um desastre.

Quanto mais tempo o restante de algodão, milho e soja for retardado para colher, maior a possibilidade dos consumidores sentirem os efeitos e enfrentam preços ligeiramente mais elevados para os produtos que vão desde refrigerantes de tofu a carnes, disse Chad Hart, um economista de extensão na Universidade Estadual de Iowa .

Uma graça salvadora para os agricultores de grãos Centro-Oeste é que milho e soja estão relativamente bem formados e numa boa posição para o período das chuvas recentes, as expectativas mantiveram-se elevadas para um ano de grande produção. Os agricultores estavam se aproveitando da interrupção das chuvas desta semana para tentar recuperar o tempo perdido.

Para muitos na Louisiana e no Mississippi, no entanto, a espera continuou. Em alguns casos, era tarde demais.

Stephen Logan estava pesando se valeria drenar uma área alagada, para alcançar uma lavoura de algodão já danificado por mofo, bolor e manchas. Ele contabilizou 28,1 milímetros de chuva na sua fazenda em noroeste Louisiana do mês passado, volume maior que o já visto em outros anos, lembrando que os dias ficam mais curtos, significando menos luz solar para secar a safra.

Esta estava se mostrando ser uma das melhores colheitas de algodão que já tivemos, mas está absolutamente apodrecido no talo”, disse Logan. “É muito frustrante e humilhante, para dizer o mínimo.

Enquanto as chuvas ajudaram a corrigir as condições de seca que assolou grande parte da região no início deste ano, a umidade acumulada em setembro e outubro, não poderia ser pior.

O tempo chuvoso deve custar os agricultores dos dois estados mais de US$ 120 milhões em perdas no algodão, de acordo com estimativas preliminares pelos economistas agrícolas e de estado de Louisiana e universidades do Estado do Mississippi.

Para todas as culturas principais, os agricultores de Louisiana podem perder US$ 275 milhões em receitas. No Mississippi, US$ 371 milhões, serão perdidos de acordo com as estimativas iniciais. Isso complicará muitos produtores que já sofreram perdas no ano passado devido aos furacões Gustav e Ike.

Este não é um furacão, mas em muitos casos, é tão ruim em termos de impacto na qualidade e rendimento como se fosse“, disse Kurt Guidry, que escreveu o relatório do Estado da Louisiana. Quando você soma os dois anos juntos , ”a maioria dos produtores vão ter um estresse financeiro grave à medida que se organizarem para a próxima safra.” E a maioria vai precisar de “ajuda” significativa, tanto do governo ou de outra fonte, para obter financiamento para 2010, disse ele.

Empréstimos a juros baixos ou outros auxílios podem estar disponíveis para os agricultores do condado de Louisiana e Mississipi que foram declarados áreas de desastre federal, devido à final da primavera e cheias no início do verão. Funcionários do Estado estão buscando a ajuda adicional para as pessoas afetadas pela seca e chuvas posteriores. “Mais do que nunca, os produtores de Louisiana precisam de fundos de desastre“, disse o secretário da Agricultura, Mike Strain.

De volta ao Mississippi, o fazendeiro Andy Clark não sabe o que fazer. Ele apostou tudo este ano em batata doce - uma cultura cara de produzir e se anunciava um ano de belo resultado.

Este não foi um bom ano. Atrasos no deslocamento para os campos significaram batatas apodrecendo no solo úmido, e mesmo tivermos de colher algumas, as chances são boas - dada toda a chuva - iria apodrecer na casa de armazenamento. E é difícil justificar os custos de mão de obra para isso, disse ele. Dimensionando o prejuízo: de 82 hectares que plantados no Mississippi central, ele colheu cerca de quatro.

Realmente vai ser difícil para sentar e conversar com o banco. Provavelmente não vai ser qualquer argumento que irá persuadi-los a dar-lhe mais dinheiro“, disse ele. “Neste ponto, você provavelmente vai ter que pedir-lhes para dar-lhe um pouco mais de tempo para quitar a dívida”. “Se houver qualquer maneira possível, eu ainda vou plantar“, disse ele. “Mas você tem que avaliar tudo, sabe? Eu não sei o que pretendo fazer.”

Fonte: The Washington Post

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Uma queda na produção americana de milho, provocada pelo excesso de chuvas nas regiões produtoras do meio-oeste dos Estados Unidos, poderá abrir a oportunidade de novas exportações de etanol anidro brasileiro na próxima safra, segundo o diretor técnico da União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica), Antonio Pádua Rodrigues.

Segundo ele, no entanto, as exportações brasileiras para os EUA se tornarão possíveis apenas se houver uma janela de oportunidade criada pela alta do preço do milho - e do etanol de milho -, enquanto o etanol de cana brasileiro estiver com preço mais baixo. Pádua deixou claro, contudo, que, no momento, não existe possibilidade de exportação do etanol brasileiro, diante da oferta limitada do produto, o que deixa os preços internos bastante elevados. “Com as atuais condições, exportar etanol é impossível“, disse.

O empresário e conselheiro da Unica, Maurílio Biagi Filho, também avalia que, com o atual preço do etanol - de R$ 1,12 o litro nas usinas de São Paulo -, é impossível exportar o combustível. “Além disso, para exportar é preciso primeiro ter o combustível disponível. Se tiver, é preciso ainda achar para quem será exportado e em que condições’’, afirmou.

O presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, acredita que o setor vai cuidar primeiramente no mercado interno. “O fato de uma janela de exportação ser criada não significa que efetivamente iremos vender etanol no exterior“, disse.

De qualquer forma, no longo prazo, segundo a analista da analista da trading francesa Sucres et Denrees, Karim Salamon, os EUA precisarão importar grandes volumes de etanol do Brasil para atender às metas de utilização de biocombustíveis avançados impostas pelo Padrão de Combustíveis Renováveis dos EUA (RFS, na sigla em inglês). Segundo ela, os EUA dependerão de forma expressiva do etanol brasileiro para cumprir os mandatos estabelecidos, de 757 milhões de litros em 2010, atingindo 15,1 bilhões de litros em 2022. Isso porque o etanol feito de milho, padrão nos EUA, não atende à meta de redução de pelo menos 40% de redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa.

Fonte: O Estado de São Paulo

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O mercado externo do algodão permanece com preços bastante firmes, diante do bom desempenho do mercado financeiro e principalmente em razão do pessimismo em torno do potencial produtivo nos EUA. Nesta quinta-feira, o contrato de dezembro de 2009 em Nova York (ICE) oscilou entre uma mínima de US$ 67,21 cents/lp (- 1,3%) a até uma máxima de US$ 68,41 cents/lp (+ 0,4%). Com as colheitas nos EUA consideravelmente atrasadas e o índice de umidade dos solos muito elevado, os operadores já dão como certo uma perda acentuada de produtividade e de qualidade de fibra no país.

Com isso, o mercado norte-americano vai mantendo-se no topo desta temporada. A alta externa levou o mercado brasileiro a romper pela primeira vez desde 08 de junho a barreira de R$ 40 por arroba (à vista) CIF São Paulo. Mas a queda doméstica do dólar começa a ameaçar a sustentação deste patamar. Hoje o dólar teve mais um dia de queda, descendo a R$ 1,721 (- 0,64%), claramente focado na barreira de R$ 1,700.

Apesar de já ser plenamente provável uma safra nos EUA em um volume inferior ao ano passado, nota-se também uma certa resistência a novas altas em Nova York (ICE), apesar da continuidade das mesmas não estarem descartadas. Nesta quinta-feira o mercado externo não conseguiu sustentar-se positivamente, mesmo diante de um ótimo número semanal de exportação divulgado pela manhã por parte do USDA. Segundo o órgão, na semana de 23 a 29 de outubro as exportações norte-americanas de algodão somaram 183,5 mil fardos, mesmo com a China sendo apenas a quinta maior compradora. Este foi o maior volume das últimas nove semanas. Mesmo assim, é bom destacar que as exportações acumuladas nos EUA somam apenas 3,8 milhões fardos nesta safra, volume 43% mais baixo do que no mesmo período da safra passada, o que inevitavelmente coloca os operadores em Nova York sob alguma cautela. O fato é que a paridade externa chegou novamente a um ponto de resistência ao mercado brasileiro, indicando que a continuidade das altas no mercado interno poderá encontrar maiores dificuldades no curto prazo.

Fonte: FAEG - Federação da Agricultura do Estado de Goiás

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Em menos de um ano, a valorização do real fez a soja brasileira ficar 30% mais cara para os importadores, reduzindo a competitividade do País e a margem dos produtores. A perspectiva de preços baixos, porém, é reforçada pelo acréscimo de cerca de 10% da oferta mundial do grão, com a retomada da safra argentina e o aumento da produção no Brasil.

Os produtores brasileiros irão colher na safra 2009/2010 entre 62,50 milhões e 63,60 milhões de toneladas da oleaginosa, um incremento próximo a 11% ante a temporada passada no melhor resultado da história. Os números fazem parte da previsão feita ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Entre os fatores que devem levar o País a colher uma safra recorde estão os baixos preços baixos do milho, que levaram muitos produtores a ampliar a área da soja sobre essa cultura. O aumento da produção também se deve à estabilidade do clima prevista para os próximos meses, o que beneficiará a semeadura das lavouras, que ocorre até o final de dezembro nos estados do Centro-Sul. “A supersafra no Brasil e a Argentina retomando vão levar a queda da Bolsa de Chicago rapidamente“, avaliou Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

Ramalho destaca que a soja brasileira, 30% mais cara, concorre com o grão da Argentina e dos Estados Unidos e que, portanto, irá perder mercados, levando o produtor rural a registrar prejuízo. “Nas condições que nós temos hoje o produtor não vai ter lucro“, afirmou. Segundo o presidente da SRB, para obter alguma margem com o câmbio e o preço atuais o produtor precisaria atingir uma produtividade de pelo menos 3 mil quilos por hectare (o equivalente a 50 sacas), o que é nacionalmente é muito difícil, segundo Ramalho.

O cenário que se desenha é desanimador e acentua a tendência dos últimos meses. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicado (Cepea), a soja negociada em Paranaguá em outubro com embarque para o mesmo mês foi cotada a US$ 27 a saca. O grão comercializado no mesmo mês, mas com embarque previsto para abril de 2010 foi vendido a US$ 22,30 a saca.

A redução da competitividade brasileira já pode ser observada no ritmo de comercialização. O Mato Grosso - maior estado produtor do Brasil - está com 29% da produção comprometida, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), enquanto no ano passado essa negociação já havia atingido 50% no mesmo período. Os produtores norte-americanos, por sua vez, já comercializaram 55% da safra de soja, enquanto a média histórica do país é de 20% neste período. Se a lentidão no escoamento da soja persistir, os produtores terão que enfrentar o déficit de armazenamento, repetindo a safra de milho que registrou perdas por ficar fora dos silos enquanto não era vendida.

Ao se observar a tendência cambial e os fundamentos para o mercado da soja o futuro não deve levar alívio aos produtores. “O cenário para a soja não é positivo. Há um aumento da produção ante uma demanda que não tende a crescer. É provável que o preço se acomode ou tenda a cair“, avaliou o economista André Diz.

A SRB deverá se unir à outras entidades do agronegócio para formular uma agenda para discutir a política cambial do governo, no entanto, segundo as lideranças da casa, terá que abrir uma brecha dentro de um Congresso Nacional onde o agronegócio está incluído apenas nas discussões referentes ao meio ambiente.

João Sampaio, secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, vê com desconfiança as medidas de intervenção ao câmbio, anunciadas pelo Banco Central. “Acredito que uma política direcionada aos juros teria mais impacto que essas medidas“, disse.

Fonte: DCI - Diário do Comércio & Indústria

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Ao anunciar o segundo levantamento da safra de grãos 2009/2010, nesta quinta-feira (5 de Novembro de 2009), o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Gerardo Fontelles, disse que o governo agiu de forma estratégica, ao estabelecer instrumentos financeiros que reduzam os riscos operacionais dos produtores. “São excelentes as expectativas para a próxima colheita. Tudo indica que o clima será mais equilibrado e beneficiará as lavouras” acrescentou.

A projeção realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) destaca a previsão de colheita da soja entre 62,50 milhões e 63,60 milhões de toneladas, para o próximo ano. Caso seja confirmado o intervalo superior da intenção de plantio - de 11,4% a mais que o período passado, este será o segundo melhor resultado da história. A safra total de grãos ficará entre 139,04 e 141,69 milhões de toneladas, o que representa aumento de 3 a 5% em comparação à safra anterior de 135 milhões de toneladas. A área a ser plantada em todo o país deve ficar entre 47,44 milhões (-0,5%) e 48,18 (+1,1%) milhões de hectares.

A perspectiva para o milho primeira safra é de 32,79 milhões a 34,06 milhões de toneladas. O feijão primeira safra, em fase de maturação e frutificação em algumas regiões, está entre 1,39 (+2,9%) e 1,43 milhão (+6,3%) de toneladas. O arroz terá redução de 3,8%, entre 12,06 e 12,18 milhões de toneladas. Para o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sílvio Porto, ainda é cedo para qualquer diagnóstico decisivo. “Os produtores do Rio Grande do Sul, por exemplo, estão esperando mais chuvas para decidir se o plantio de arroz vai até dezembro”, explicou.

Trigo - A produção de trigo sofreu queda de 14,3 % e deve fechar em 5,04 milhões de toneladas. Isso se deve ao excesso de chuva na fase de cultivo. Em contrapartida, o estoque de passagem do produto - sobra de uma safra de grãos de um ano para o seguinte - é de quatro milhões de toneladas este ano. Silvio Porto, disse também que esse estoque apresenta vantagem em relação à safra 2008/2009. “Boa parte, hoje, está com o governo e não atrapalha o mercado, ao contrário do que aconteceu no ano passado, quando o estoque de passagem foi alto, mas estava nas mãos de produtores, cooperativas e tradings”, afirmou.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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A recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional deve influenciar as cotações de algumas commodities agrícolas nos próximos meses. A avaliação é do analista da Newedge Futures em Nova York Vinícius Ito, que concedeu entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. Para ele, o petróleo deve chegar novamente aos US$ 100 o barril até o final de março de 2010. Depois, tendem a recuar e oscilar entre US$ 60 e US$ 65 o barril. “O petróleo acima de US$ 80 não permite uma recuperação sustentável da economia dos países industrializados, mas existem fundos que estão voltando para cestas de commodities, o que inclui o petróleo e algumas agrícolas“, disse Ito.

Segundo o analista, as commodities agrícolas já estão sendo influenciadas pela recente valorização do petróleo, mas aquelas mais relacionadas à energia ficarão mais sensíveis às oscilações dos preços do combustível. Para ele, os produtos que apresentam um potencial maior de valorização são o açúcar, milho e óleo de soja, nesta ordem. “O trigo, que também poderia subir, tem um aspecto fundamental muito forte, que um grande estoque mundial”, afirma.

A estimativa do analista é de que os preços do óleo de soja superem os 40 centavos de dólar por libra e se aproximem dos 45 centavos. Segundo Ito, as cotações do óleo podem apresentar ainda um ganho de 10%, considerando que os preços do petróleo realmente cheguem ao patamar de US$ 100 o barril. Dentro dessa mesma tendência, as cotações do milho na Bolsa de Chicago teriam força para superar os US$ 4,00 por bushel. Ontem, os contratos com vencimento em dezembro fecharam o dia cotados a US$ 3,90 por bushel.

Segundo Ito, a limitação que existe para uma valorização maior dos preços do milho é a safra americana. Apesar de atrasada em relação a anos anteriores, o analista considera que em alguma momento haverá uma pressão de oferta no mercado, proveniente da colheita desse grão. “Além disso, existe um bom estoque nos Estados Unidos e no mundo, mas não pode ser deixado de lado o fato de o petróleo alto estimular a produção de combustíveis alternativos“, afirma.

Em relação ao açúcar, produto com maior potencial de valorização com a alta dos preços do petróleo, existe, segundo Ito, a possibilidade de as cotações atingirem suas máximas. Ontem, em Nova York, o açúcar foi cotado a 23,39 centavos de dólar por libra, mas o analista não descarta a possibilidade de o mercado chegar e até superar os 26 cents. “O açúcar é diretamente influenciado pelo petróleo e, diante da situação de produção no Brasil e demanda da Índia, o mercado pode atingir novas máximas“, disse.

Fonte: O Estado de São Paulo

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Os produtores brasileiros de algodão deverão diminuir o plantio pelo terceiro ano consecutivo, num momento em que a desvalorização do dólar reduz os lucros gerados pelas exportações, confirmou levantamento divulgado ontem pela Céleres. Segundo a consultoria, a área plantada no país deverá ocupar 820 mil hectares nesta safra 2009/10, que começa a ser semeada este mês, ante 857 mil hectares no ciclo passado, informou Anderson Galvão, analista da Céleres. Se confirmadas as estimativas, será um recuo de área de 4%. O plantio se estende de novembro a janeiro no Brasil.

Apesar da redução da área plantada, a produção deve aumentar em 2010 devido à alta da produtividade da lavoura, conforme a Céleres. A produção deverá crescer 17%, para 1,4 milhão de toneladas. Apesar do câmbio pouco animador, as exportações, deverão crescer para entre 500 mil a 600 mil toneladas, em relação às 450 mil toneladas do último ciclo.

O real registrou valorização de 31% na comparação com o dólar americano este ano, o melhor desempenho entre as 16 moedas mais negociadas do mundo monitoradas pela Bloomberg. A força do real está corroendo os lucros das vendas, denominadas em dólares, o que neutraliza as vantagens da alta da cotação do algodão este ano. “O real valorizado não está encorajando o plantio“, disse Galvão. “Os produtores não estão tirando vantagem dos aumentos de preço deste ano“.

Ontem, na bolsa de Nova York, os contratos do algodão com vencimento em março encerraram a sessão a 70,82 centavos de dólar por libra-peso, queda de 27 pontos em relação à véspera.

Como destacou André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult, em evento realizado ontem na Fiesp, a barreira cambial prejudica a produção brasileira em um momento de reação global do setor têxtil, que já verifica uma recuperação da demanda após os estragos provocados pela desaceleração econômica derivada da crise financeira mundial.

A recuperação está sendo puxada por produtos sintéticos, mas a fibra também voltou a ser mais procurada“, afirmou Pessôa. A China é a grande responsável pela retomada. “Em geral, teremos [no ano que vem] uma discreta recuperação do consumo global, sem aumento da produção. Isso deverá levar à queda dos estoques mundiais e à reação dos preços“. Mas no Brasil a situação é difícil. As vendas antecipadas, liderada por tradings exportadoras, caíram muito, limitando negócios e “tirando gente do mercado“.

Fonte: Valor Econômico

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Cotação da soja negociada nos Estados Unidos deram uma guinada ontem

As especulações de que o tempo mais úmido e frio no Meio-Oeste americano irão atrasar a colheita desta safra fizeram a cotação da soja negociada nos Estados Unidos dar uma guinada ontem.

Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), cerca de 51% da safra do país já havia sido colhida até domingo, em comparação com os 87% dos últimos cinco anos. “Tememos que o governo reduza o volume da colheita depois das chuvas e baixas temperaturas de outubro“, disse um analista de mercado à Bloomberg. Com isso, os papéis para janeiro, negociados em Chicago, fecharam a US$ 1,01050 por bushel, com alta de 12,50 centavos.

No mercado interno, a saca de 60 quilos da soja fechou a R$ 44,38, com queda diária de 0,31%, de acordo com o indicador Cepea/Esalq.

Fonte: Valor Econômico

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